Quinta-feira, Agosto 2j



³[smashing pumpkins - zeitgeist]

Zeitgeist: Billy Corgan não é nada sem as abóboras

Últimos dias agitados no departamento de lançamentos de cds. Tem aí a Volta da Björk, Zero Hour do Nine Inch Nails, a ressurreição barulhenta do Smashing Pumkpkins e o excelente Era Vulgaris do Josh Homme, vulgo Queens of the Stone Age. Gostaria de ter todos, e escrever de todos, mas me parece mais urgente falar alguma bobagem sobre o do Pumpkins. E assim será.

Quem esperava mais do mesmo vai se decepcionar. O Pumpkins romântico e melancólico deu lugar a um som pesado e politizado. Meio chato nesse aspecto, principalmente pra quem, como eu, faz vista grossa para a moda de criticar o capitalismo, os EUA e essas guerras malucas no oriente médio. Na verdade, deixando o tema das músicas de lado, o que salta à vista é a agressividade do novo som. Coisa ouvida apenas em algumas músicas polvilhadas parcimonicamente nos álbuns antigos, nesse daqui é coisa constante. Quem curte as clássicas XYU, Bullet With Butterfly Wings e The Everlasting Gaze vai ficar de cara com os primeiros acordes que ouvir desse Zeitgeist. Mas que gostava mesmo era da mistura bem temperada dos cds antigos vai sentir falta de alguma coisa que soe como Today, Disarm ou 1979.

Essa particularidade do cd é, na minha visão (e aqui eu já abro espaço para a primeira teoria do dia), devida à falta das duas abóboras românticas do grupo. Num rápido retrospecto é fácil identificar que Jimmy Chamberlain é a alma do som pesado do Pumpkins. E quando só fica ele e Billy Corgan para gravar um som da banda, é só isso o que a gente ouve no cd.

Considero os dois primeiros álbuns da banda como um aquecimento. As idéias se formando, o produtor (Butch Vig, batera do Garbage) azucrinando o grupo e a pouca fama ainda engessando a criação do quarteto. Claro que Gish e Siamese Dream são álbuns ótimos, mas acredito mais na experimentação nestes cds do que a concretização da maturidade da banda. Essa maturidade vem com a obra-prima de 1995 Mellon Collie and the Infinite Sadness. A partir daí sai um, entra outro, e cada álbum seguinte só ajuda a perceber quão incompleto fica o som do grupo sem a presença de todos os quatro.

Em 1998 sai Adore, e antes dele a banda abandona Jimmy Chamberlain, enterrado em drogas depois da turnê de Mellon Collie. A substituição de Chamberlain pela bateria eletrônica deu aspecto industrial ao som, que se percebe tanto nas famosas Ava Adore e Perfect quando nas baladinhas do cd. Confesso que prefiro um ser humano com baquetas na mão. Na verdade, a grande mudança do som nem se limita ao uso do eletrônico, mas sim no romantismo sufocante. Sem Chamberlain a banda perdeu peso e James Iha e D'Arcy esbanjaram acordes fofinhos e batidas lentas.

O álbum não foi muito bem recebido e dois anos depois o grupo volta a estúdio, e antes disso Chamberlain larga as drogas e volta a segurar as baquetas das abóboras. Porém, dessa vez, quem sai é D'Arcy, por razões pessoais. Melissa Auf Der Maur do, na época, recém terminado Hole entra para substituí-la. Mesmo sendo também mulher (aspecto que considero indispensável no som áureo do Pumpkins), Melissa não entra para manter o pé romântico do grupo, que grava em 2000 Machina: The Machines of God. Com a insistência do uso de eletrônicos e a entrada da nova integrante, percebe-se um álbum desequilibrado, e arrisco a dizer: um pouco entediante. Talvez as divergências entre a guitarra intimista de Iha, agora sozinha sem D'Arcy, e o peso estrondoso da bateria de Chamberlain, resurgido e com muito fôlego, tivessem provocado, além de outras adversidades, aquilo que todos não queriam: ao término da turnê de Machina o grupo anuncia o seu fim, apesar das insistentes afirmações do confuso Billy Corgan, que queria continuar.

A partir daí os integrantes seguem trabalho solo. Iha faz participações em diversas bandas e entra para o A Perfect Circle. Corgan e Chamberlain, que parecem ter mais afinidade, decidem criar sua própria banda e surge daí o Zwan. Projeto fraco, sem música de relevante e de forte apelo comercial. O projeto morre logo após o lançamento do fracassado único álbum. Começam a surgir rumores de uma possível volta do Pumpkins, confirmada tempo depois por Billy Corgan. E agora, esse mês, você pode encontrar na prateleira de lançamentos o novíssimo Zeitgeist, com a Estátua da Liberdade afundando num mar de sangue. Por aí já dá pra perceber que as abóboras não são mais as mesmas.

Agora sem D'Arcy e também sem James Iha, que decidiram não tentar desfibrilar o som antigo da banda, Corgan e Chamberlain impuseram um peso sem precedentes. Músicas bem construídas mas que mesmo com o monte de ruídos não conseguem preencher o vazio imposto pela falta de metade do grupo. A banda abre mão do intimismo, que segundo minha outra teoria era imposta por Iha e D'arcy, e faz rock'n'roll no sentido mais pesado da palavra. Sem amores e desilusões para falar, focar no contexto político foi a saída fácil para o novo Pumpkins. Falar de política, no caso do esquizofrênico Corgan e do mudo Chamberlain, foi antes uma busca de assunto para canalizar o som latente dois do que uma jogada comercial. Eu acho.

j11:28 AMComablackComm: i
Terça-feira, Julho 31j



¯[café del mar - volumen cinco]

Matemática Mitológica

Posso afirmar que todos, senão quase todos os professores de matemática que já tive eram psicóticos. Maníacos que babavam números e afirmavam categoricamente que matemática era uma maravilha, que os números isso e aquilo. Tudo acompanhado de um tom profético e um olhar distante no horizonte branco ou bege das salas de aula.

Teve um japonês da faculdade, o meu último contato com a estirpe, que dizia marrentamente que "tudo era estatística". Um sujeito que, não duvido, brilhante, desperdiçou muita palavra em adoração a uma coisa boba. A mera constatação da natureza. A relação causa-efeito que até os macacos, ou os cãezinhos lá do Pavlov aprendem sem pensar um pouquinho.

Cheguei à conclusão que se existe alguma utilizade prática das matemáticas no descobrimento de alguma verdade sobre a Vida, o Universo e Todo o Mais, ela já foi descoberta, enunciada e é, creio eu, uma das frases mais famosas da ciência. Einstein disse que "tudo é relativo".

Matemática, a lógica, é só isso. A simples constatação da relação de uma coisa com a outra. Tudo o que existe de solidamente - reforço, absolutamente - estabelecido nos números são convenções arbitrárias.

Tem um museu em Paris que quem quiser pode ir lá conferir o Metro. Digo, uma vara de madeira mordiscada pelo tempo que diz embaixo alguma coisa que pode se resumir a: "aqui jaz o Metro, e a partir de hoje tudo o que tiver essa medida será chamado de 'metro'". Isso é o que sei, mas creio que deve haver também um vasilhame bacana com coisa líquida ou sólida dentro dizendo numa plaquinha: "e esse daqui, meu camarada, esse daqui é o Litro, e a partir de hoje..." o resto já dá pra deduzir. Por aí já dá pra imaginar as plaquinhas sob o Joule, o Quilo, o Mol, a Atmosfera, o Watt e o resto da turma.

Me falta a memória neste momento, mas li sobre um pré-socrático que afirmou que "o homem é a medida de todas as coisas". Dois mil anos de religião, ciência, filosofia, arte, drogas e um pouco de sorte depois, Albert, como disse, falou que "tudo é relativo". Mas é claro, Albert!, fica fácil porque o cara lá Grécia já tinha dito isso, só que de outra forma. Uma coisa é o que o Homem percebe - permitam-me o H maiúsculo para esta frase - e outra coisa diferente é o que a Vida, o Universo e Todo o Mais realmente são.

Quem disse que os trilhões de anos-luz que nos separam de uma qualquer coisa que a NASA observa no espaço não é percebida como a mesma distância que separa o dedo do buraco do meu nariz por um sujeiro, ou consciência, ou percepção mais ampla? Uma razão maior. Isso não tem nada a ver com Deus, falo de consciências como as que temos. É a mesma coisa que supor que lá no minúsculo pedaço de matéria que já se conseguiu medir, e que deve ser formado por mais infinitas divisões, também podem haver formas de vida conscientes de si, mas não de que fazer parte de algo maior.

Isso não é devaneio barato. Pois, como disse, o homem convencionou suas medidas, que são arbitrárias e correspondem somente ao nível médio de percepção que ele tem do tempo e do espaço.

E, antes de finalizar, deixo claro que esta opinião nada tem a ver com visão holística, muito pelo contrário. A tal da visão holística que se tem hoje é extremamente limitada: ou a um corpo humano, ou a um grupo de pessoas ou ao sustento do planeta Terra. Não passa de mais um mito, uma determinação arbitrária definindo os limites lógicos de alguma coisa.

j11:11 AMComablackComm: i