Sem título
Não sei o nome do cientista, mas sei que ele existiu. Ele afirmou que todas as afirmações que poderiam ser feitas ao movimento dos corpos celestes também poderiam ser admitidas para os corpos atômicos, ou subatômicos. Na verdade é a ciência carimbando embaixo do texto que escrevi algum tempo atrás, sobre as coisas serem relativas e que o homem cria medidas pela percepção média das coisas e tal. O assunto é chato, já o tratei anteriormente, e por isso vou limitá-lo a este parágrafo.
O fato relevante para este post, e que vou apresentá-lo já no começo do segundo parágrafo antes que você desista de lê-lo e procure algo interessante na TV, é: o nosso corpo é composto por mais de 70% de água.
E daí?
E daí que o nosso planeta também. E se não me arrisco a temerariamente afirmar que é exatamente a mesma, afirmo que ele tem quase a mesma proporção que o nosso corpo desse mesmo líquido.
E daí?
E daí que nós somos água. Fato. Se você perde água, você perde um pouco de você. Você toma água, e você ganha mais você.
Mas, e daí?
Daí que acho que por causa do frio, tenho bebido menos água. Por causa do frio o ar fica menos úmido, e respiro menos água. E por causa do frio, me agasalho tanto que fico com calor a maior parte do dia. Transpiro água e fico fedendo sovaco.
Hum... e daí?
Daí que sendo menos eu, perco um pouco da personalidade. Falo menos, penso menos, dou menos risada, e fico menos interessado em descobrir o porquê. Daí, de repente, chove. Molho meu cabelo, dou umas lambidas nas gotas que grudaram perto da minha boca. O mijo dos anjos. A chuva é formada quando São Pedro e os anjos mijam na gente. Eles dizem assim: vamos mijar nesses filhos da puta para aprenderem! E eu, esperando o ônibus para ir ao trabalho, bebo umas gotas desse sagrado elixir. Acabo ficando mais eu. Penso um pouco e decido inventar uma teoria com o pouco de criatividade que o mijo angelical me proporciona.
Ah...
Encho um copo de polietileno barato com a sagrada água Ouro Fino e bebo. Bebo como um camelo. Um puto. Um neném mamando na teta. Recobro a inteligência, a astúcia. Cresço, me desenvolvo. Minha cabeça começa a funcionar novamente. O ciclo da água se faz dentro de mim. Do copo à pica. Sou novamente eu mesmo. No fervor da felicidade incontida estravaso um rio de bobagens pelos dedos. E publico. |